Análise: xenofobia, especialmente contra o mundo árabe, EUA, Líbia, rebeldes, intervir ou não? Afeganistão 1978, ex-URSS, Rambo III, Turquia e sua entrada na UE.

Análise: xenofobia, especialmente contra o mundo árabe, EUA, Líbia, rebeldes, intervir ou não? Afeganistão 1978, ex-URSS, Rambo III, Turquia e sua entrada na UE.

Cada vez mais comum na União Europeia atual é o mundo árabe ser injustamente discriminalizado por conta de uma campanha brutal patrocinada pelos EUA desde os ataques de 11 de setembro.

Um grande exemplo disso é a Turquia. É um país que pleiteia sua vaga na UE há um bom tempo. Principalmente Istambul, pela foto dá para perceber sua semelhança com outras cidades europeias. Fato é que sua entrada na UE dispensaria a necessidade de visto para os EUA. Como a Turquia é 99% muçulmana há uma boa razão para que os EUA não queiram isso.

Há um número crescente de imigrantes muçulmanos na Europa, haja vista que o controle de natalidade, por razões religiosas, é bem diferente daquele do europeu. Filmes como ‘O PROFETA‘, Francês, ganhador de Cannes, 2010, drama prisional francês (vide minha resenha sobre) é uma metonímia do conflito inevitável e xenofóbico de uma europa que tenta se apegar a valores antigos e decadentes e nega o inevitável novo pela simples incapaciadade de lidar com a situação. Vide as recente atitudes de Sarkozy de proibir a ‘burkha’ em locais públicos, perseguir ciganos etc.

Atualmente vemos uma verdadeira ‘Social Media Revolution’ acontecendo no mundo árabe: Egito, Barein, Líbia etc. Vemos também os estragos que décadas de ditadura fazem a um país. Discute-se armar ou não os rebeldes na Líbia. Chamo então a atenção para o Afeganistão, mas no final da década de 70.

Em 1978 a então URSS ocupou o Afeganistão a pedido do  governo marxista-leninista do Afeganistão, República Democrática do Afeganistão, para tentar barrar a tentativa da resistência Mujahideen, rebelde, de tomar o poder. Os Estados Unidos armaram, treinaram e deram suporte a essa resistência por meio da CIA e de muito dinheiro.

Podemos ver isso em dois filmes RAMBO III, 1988, no qual se vê o personagem lutando junto com os rebeldes afegãos contra o mal vermelho e no filme JOGOS DE PODER, 2007, que mostra o congresso americano, especialmente na figura do senador Charlie Wilson – daí o nome em inglês Chalie Wilson’s war – angariando fundos e articulando poderes para armar a resistência rebelde no Afeganistão. Ironicamente, entre os membros muito bem treinados e armados saíram figuras como OSAMA BIN LADEN. Talvez por isso haja hoje essa relutância americana que está sendo amplamente discutida na CNN e nas várias mídias sobre armar ou não os rebeldes da Líbia.

O que me entristece disso tudo é a intolerância de uma forma geral com que as mídias, os filmes e até mesmo os vídeo-games discriminam os árabes. A intolerância e o estereótipo gerados prestam um grande desserviço. Não nos esqueçamos que foram os árabes, e não os europeus, os grandes curadores dos saberes da bilbioteca de Alexandria e os grandes responsáveis por guardarem saberes de inúmeras áreas do conhecimento, que certamente, graças a eles, temos hoje tecnologias e conhecimentos indispensáveis para as nossas próprias revoluções pessoais.

 

About ricardonagy

Bacharel Direito PUC-SP. Pós-graduando em Direito Civil pela EPM-TJSP. Bacharel e Licenciado Letras inglês/português USP. Pós-graduado em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação PUC-SP.
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4 Responses to Análise: xenofobia, especialmente contra o mundo árabe, EUA, Líbia, rebeldes, intervir ou não? Afeganistão 1978, ex-URSS, Rambo III, Turquia e sua entrada na UE.

  1. Perry says:

    Nagão, o conceito de Oriente é uma invenção ocidental – preconceituosa – para negar a influência dos povos asiáticos na formação da nossa civilização. Para isso, recomendo o livro: O Oriente e o Orientalismo, de Edward Said.

    Uma questão que me chama a atenção e é muito controversa é a a proibição do uso da Burkha em escolas francesas. Certamente, partindo do governo que partiu (Sarkozy), é uma atitude que visa reprimir uma manifestação cultural-religiosa de povos que cada vez mais ocupam espaços na França.

    Porém, na França há uma grande preocupação com o laicismo do Estado, o que é positivo, a meu ver.

    Será que quipás crucifixos e outras manifestações religiosas judaico-cristãs também são proibidas nessas escolas?

    A resposta para essa pergunta pode incendiar mais ainda esse debate….

  2. Camila Mattioli says:

    Morando na Irlanda ha 3 anos, percebo que sim, ha xenofobia – como em todos os lugares do mundo, porem percebo tambem que muitas pessoas nao sao contra arabes, muculmanos, mas sim contra o que eles estao fazendo com a Europa. Praticamente todas as pessoas que ja conversei sobre esse assunto me disseram a mesma coisa: o problema em relacao aos imigrantes (sejam eles de onde forem) eh a falta de respeito com que eles tratam o pais que abriu suas portas para recebel-los.

    Para nos, brasileiros, nao eh tao complicado assim, mesmo porque as diferencas culturais e mesmo religiosas nao sao tao grandes e nos sempre nos integramos com todo mundo. Mas quando falamos sobre os muculmanos, as diferencas sao extremamente aparentes, desde a cor da pele ate a maneira que eles se vestem, a maneira que eles tratam os nao-muculmanos, as mulheres principalmente, etc. Talvez precise postar uns 10 comentarios para descrever todas as diferencas que eu encontrei. E eh justamente porque existe essa falta de integracao e intolerancia por parte do “visitante” que os “donos da casa” comecam a fechar suas portas.

    Ha pouco mais de um mes, o primeiro ministro ingles, David Cameron, fez um pronunciamento na TV tentando explicar o por que de leis mais firmes em relacao a imigracao. Ele explicou que o Reino Unido tentou, sem sucesso, ser uma comunidade multi-cultural e com isso eles estavam perdendo a identidade deles. Tenho que concordar com ele. Andando em alguns bairros de Londres e Manchester eh dificil de acreditar que estamos mesmo na Europa e nao em algum pais arabe.

    So food for thought!! Sera que nao aceitar a Turquia como pais membro da UE eh xenofobia ou eh apenas uma tentativa de preservacao de uma “identidade europeia”?

  3. Leandro says:

    Essa onda conservadora das políticas de imigração da UE demonstram que a tal globalização, como a construção de um mundo sem fronteiras, não passa de uma “fábula”.
    Na verdade essa “fábula” do discurso vazio se manifesta, principalemtne fora da UE e dos EUA, como “preversidade”, como uma sequência de politicas econômicas neoliberais para a América Latina, como um movimento articulado de “recivilizar” os pricípios políticos e culturais do Oriente Médio por exemplo.
    Não da para ser ingênuo e encarar essa conjuntura toda (politica, econômica e militar) como “reação” espontânea dos países do centro do capitalismo contra as ameaças culturais dos imigrantes…

  4. Pingback: A Dama de Ferro, Margaret Thatcher. Filme com Meryl Streep. Liberalismo, privatizações e redução de serviços sociais. | Ricardo Nagy's Blog

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