Resenha do filme ‘O profeta’. A questão árabe na Europa. Conflitos e etnias: uma reflexão necessária.

A máfia italiana em sua decadência. Ascensão da questão árabe, que nunca esteve tão atual, haja vista as grandes manifestações em prol da democratização de países como Barein, Líbia, Egito e outros; e os lamentáveis ataques terroristas recentes. O filme mostra o lado da França que não é tão glamouroso quanto o que estamos acostumados a ver normalmente. É o lado de imigrantes na prisão e a máfia que se forma em torno dela. Os indultos usados para fins escusos, a total impossibilidade de ficar à parte de um sistema prisional corrompido, de imigrantes marginalizados, de máfias que se formam de acordo com os padrões de origem, etnia ou religião.

O filme se inicia com o protagonista Malik, sendo preso, condenado a 6 anos por supostas agressões a policiais, se é que estas existiram. Malik tenta desesperadamente esconder uma nota de 50 francos, essa metonímia é o pano de fundo de um motivo maior: na virada do milênio a comunidade europeia extinguiu as moedas locais. A confluência de culturas na prisão é uma amostra da relação conflituosa e de exclusão que a união, paradoxalmente gerou.

Malik se depara inicialmente com o grupo de ítalo-córsegos que inicialmente dominam a prisão e fazem dela um grande eco do ‘poderoso chefão’. Um a um os italianos vão indo embora, ou porque cumprem a pena ou por outros motivos e a prisão acaba sendo tomada por um grupo de muçulmanos franceses. Claramente apontando para uma tendência que há na União Europeia como um todo de os grupos muçulmanos ascenderem numericamente e outros decrescerem.

Malik é a metáfora do imigrante que também quer uma fatia do bolo, mas que foi marginalizado. Ele faz parte da máfia ítalo-córsega, mas, ao mesmo tempo, não, pois não é italiano. Também não faz parte dos muçulmanos porque ele não se considera de todo muçulmano. Somente no desenrolar do filme, conforme Malik, silenciosamente adquire uma força incrível como mafioso na prisão, ele se aproxima do grupo dos muçulmanos e dele começa a fazer parte, numa clara metáfora da ascensão do novo na Europa, dos muçulmanos, mesmo com o rancor da velha europa, representada pelo decadente mafioso ítalo-córsego.

Um filme que trata do assustador problema étnico na Europa que nos faz refletir de forma incômoda, mas necessária.

Cheers.

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Sobre ricardonagy

USP/PUC-SP. Bacharel em Direito PUC-SP. Pós-graduando em Direito Civil pela EPM-TJSP. Bacharel e Licenciado Letras inglês/português USP. Pós-graduado em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação PUC-SP.
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3 respostas para Resenha do filme ‘O profeta’. A questão árabe na Europa. Conflitos e etnias: uma reflexão necessária.

  1. Pingback: Análise: xenofobia, especialmente contra o mundo árabe, EUA, Líbia, rebeldes, intervir ou não? Afeganistão 1978, ex-URSS, Rambo III, Turquia e sua entrada na UE. | Ricardo Nagy's Blog

  2. Perry disse:

    Bela resenha. Concordo com tudo!

  3. ricardonagy disse:

    Reblogged this on Ricardo Nagy's Blog and commented:

    Mais atual do que nunca, um filme de 2009, cuja temática que retrata os presídios franceses e seus conflitos, transcendem, de maneira inexorável e assustadora, a mera ficção.

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