Ilha dos lotófagos. Mitologia Grega. Fernando Pessoa. Comodismo, zona de conforto e novos desafios.

 Na mitologia grega, os Lotófagos são uma tribo existente numa ilha perto do Norte de África, que comem essas plantas narcóticas, causando um sono pacífico aos habitantes da ilha, tirando-os da realidade, fazendo com que esqueçam do tempo e espaço.

Na Odisseia de Homero, (poema composto pelo poeta grego Homero durante o oitavo século antes de Cristo (entre 701 e 800 a.C.) que conta as aventuras do guerreiro grego Ulisses (ou Odisseu) após a Guerra de Tróia.) Ulisses e os seus companheiros desembarcam na ilha dos lotófagos. Então são enviados três homens (1 arauto e 2 companhas) para investigar a ilha. Esses homens começam a fazer o que os nativos faziam: comer o fruto do lótus. Isto fez com que eles se esquecessem de abandonar a ilha. Finalmente, Ulisses conseguiu levar os 3 homens para o navio e os amarrou a seus assentos para que não voltassem à Ilha.

A ingestão do lótus provocava a amnésia e este esquecimento é uma ambição antiga: abre a possibilidade de começar de novo, de renascer, de apagar o passado.

No filme Percy Jackson e o Ladrão de Raios(2008) há uma clara referência aos lotófagos ou comedores de lótus, onde Percy, Groover e Annabeth entram no cassino Lótus(covil dos comedores de lótus) onde são oferecidas a eles flores rosadas comestíveis(flor de lótus) com efeito entorpecente o que faz com que os três amigos percam a noção do tempo e se passem cinco dias, até que Poseidon alerta Percy sobre a flor de lótus, o que faz com que ele acorde do “transe”.

Assim como na mitologia, as próprias situações em que nos inserimos são verdadeiras flores de Lótus, que ingerimos diariamente, entorpecendo-nos de forma que fiquemos acomodados enquanto o tempo passa despercebidamente: é a nossa famosa zona de conforto.

Às vezes precisamos de um Hermes que nos advirta dos encantos da feiticeira Circe – que na mitologogia seduz os homens e os transforma em porcos –  ou de um Posêidon que nos advirta para pararmos de comer a flor e sairmos da zona de conforto.

Um belíssimo poema de Fernando Pessoa, dica de meu querido primo Diego Soni, traduz bem a necessidade de sairmos da nossa zona de conforto e ‘andarmos mais sem guarda-chuva’, como Gabriel Garcia Marques escreveu. (ou supostamente o fez)

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travesssia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Pessoa)

About ricardonagy

Bacharel Direito PUC-SP. Pós-graduando em Direito Civil pela EPM-TJSP. Bacharel e Licenciado Letras inglês/português USP. Pós-graduado em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação PUC-SP.
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One Response to Ilha dos lotófagos. Mitologia Grega. Fernando Pessoa. Comodismo, zona de conforto e novos desafios.

  1. Rodrigues says:

    Este trecho reproduzido acima jamais foi escrito por Fernando Pessoa nem tampouco possui o estilo do poeta português em questão. Antes, trata-se de trecho de texto de autoajuda que já foi identificado como sendo do professor de literaura Fernando de Andrade, morto em 2008.

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