Economia Verde e Rio +20. Maiô com pele de Pirarucu.

                A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e deverá contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.

                Haverá dois temas principais:

A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e

A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

                O Brasil terá muito o que trazer para essa conferência no que diz respeito à Economia Verde. Em Santarém, por exemplo, rolos da fibra do curauá e da juta são matérias-primas que saem de lá em mantas e, posteriormente, são moldadas na forma de acessórios, consoles e revestimentos para automóveis.

                Depois do vergonhoso exemplo que foi Balbina, feita no governo Sarney, na década de 80, com o apodrecimento de milhares de quilômetros de floresta amazônica gerando o gás metano, um gás 20 vezes mais potente que o CO2, exemplos de economia verde vão brotando pouco a pouco.

                O Ecoturismo mostrou-se uma excelente alternativa, haja vista o seu imenso potencial, no norte e no centro-oeste do país, principalmente, onde há a exploração meramente predatória, baseando-se na pecuária extensiva e na monocultura em grande escala.

                A grande moda da conferência das nações unidas é falar de economia verde, para viabilizar a sustentabilidade do século 20. Portanto, o desenvolvimento sustentável é um dos pilares da Rio +20.

                Pede-se na conferência atitudes mais sólidas para a economia verde, que devem ir além dos subsídios oficiais e quebrar tabus, preconceitos e discursos prontos, inclusive dos ambientalistas.

                A quitina, por exemplo, um polímero natural proveniente do caranguejo, cuja característica principal é aglutinar e absorver gorduras e óleos, foi uma solução encontrada por um químico: Afrânio Craveiro, professor da Universidade Federal do Ceará. O produto já rendeu prêmios e patentes. A microdefesa da quitosona interessa muito a empresas de petróleo, para, principalmente, limpeza ambiental.

                Um bom exemplo de economia verde é o próprio curauá, uma bromélia saída da Amazônia diretamente para as fábricas de automóveis. Deu um novo impulso à economia local: cada trabalhador desfibrila cerca de 2 mil cocos por dia. Estes são aproveitados pela indústria de alimentos e de revestimento. A fibra em questão resiste bem a impactos, tração e flexão, não enferruja e nem se deteriora quando exposto a compostos.

                O plantio rentável estimulou vários pequenos produtores que antes viviam apenas da pesca. A demanda já é bem maior do que a capacidade produtora. O extrativismo, assim, mantém a população nas unidades produtoras.

                Essa produção vem concorrer com a plantação da já saturada mandioca na região.

                Outra grande moda ‘fashion’ é o reaproveitamento de materiais de demolição. O que antes era considerado lixo, hoje é sinônimo de riqueza e modernidade.

                Volta-se a Amazônia a um velho conhecido brasileiro: à borracha natural proveniente do extrativismo que, embora venha com uma série de dificuldades como a sujeira, a distância entre as árvores nos seringais nativos, além da distância entre os seringais até a fábrica, há a valorização da mão de obra local: a dos seringueiros da Amazônia. Contribuindo para que estes fiquem nos locais, desconcentrando a população e as favelas das cidades.

                Outro produto promissor é o pirarucu, o maior peixe de escamas das Américas, que chega a pesar 200 quilos e a ter 2,5 metros. É claro que a pesca esportiva e sua carne são apreciadas, mas o principal objetivo da economia verde é evitar sua sobrepesca, melhorando a infraestrutura e a logística, usando além da sua carne, seu couro. A previsão desse programa sustentável é a de beneficiar 569 comunidades e 8 mil famílias, isto é, cerca de 40 mil pessoas, segundo a FAS, Fundação Amazônia Sustentável.

                A pele do pirarucu em breve estará nas passarelas de moda de forma generalizada: um média, rende um retângulo de 1,20 por 1,60 metro; reúne estética, e o fato de ser ecologicamente correto. Características essenciais do ecodesign, como podemos ver no MAIÔ COM PELE DE PIRARUCU (foto acima).

                Na contramão da obsolescência programada, a onda agora é exatamente a retomada de projetos mais duráveis e não descartáveis, a exemplo de como eram feitos antigamente. Materiais fáceis de reciclar, reutilizar ou desmontar após o uso, com menos desperdício e poluição. Saudosismos à parte, vemos a volta de antigos valores com novas percepções e roupagens, consertando o que se quebra ao invés de substitur, optando pelo uso da natural transformação ao invés da simples reopção, contribuindo, portanto, para o famoso desenvolvimento sustentável. Cheers.

About ricardonagy

Bacharel Direito PUC-SP. Pós-graduando em Direito Civil pela EPM-TJSP. Bacharel e Licenciado Letras inglês/português USP. Pós-graduado em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação PUC-SP.
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