Para gostar de matemática. Os números mais populares do mundo. Anagrama com números. Malba Tahan: o homem que calculava. The Big Bang Theory. Dicas de livros.

grapesInteressante dica de livro da Scientific American traz pesquisa que analisa por que alguns números têm especial predileção pelas pessoas. Segundo o autor, uma das respostas para a escolha de números é afeição, seja devido a algum fato marcante em suas vidas, que lembram certos números, datas favoritas, números de hábito, sejam curiosidades matemáticas. No ‘Big Bang Theory’, famoso seriado nerd, o número 73 é conhecido como o ‘Chuck Norris dos números’ porque é o 21.o número primo, e seu espelho, 37, é o 12.o!

Há também o famoso ‘Número Fênix’, o 142.857, porque seus primeiros seis múltiplos são anagramas de si mesmo:

                 142857142857
142857 × 1 =              142857
142857 × 2 =                  285714
142857 × 3 =                428571
142857 × 4 =                      571428
142857 × 5 =                        714285
142857 × 6 =                    857142
142857 × 7 =              999999

Aí vai o video com uma breve explicação do porquê o número ‘7’ é tão popular:

Acredito que pessoas com dificuldade em gostar de matemática criam uma barreira imensa porque não veem aplicação prática ou não conseguem vislumbrá-la. Esse é um dos motivos pelo qual defendo a Educação Financeira por meio, por exemplo, de Matemática Financeira na educação básica, algo que nós brasileiros desconhecemos em grande escala e, talvez por conta disso não conseguimos entender parcelas com juros abusivos.

malbaUm livro que elucida muito bem esse lado gostoso da prática do raciocínio matemático associado ao dia a dia é o livro ‘O Homem que Calculava’ (1939) de Malba Tahan (pseudônimo de Júlio César de Melo e Sousa, escritor e matemático brasileiro. Através de seus romances foi um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil). Por meio da matemática aplicada a diversos problemas do cotidiano, o professor/escritor ensina de modo lúdico as diversas aplicações práticas da matemática. Enjoy.

Excerto do livro, de um dos contos mais conhecidos: ‘Os 35 camelos’

OS TRINTA E CINCO CAMELOS – Malba Tahan 
Poucas horas havia que viajávamos sem interrupção, quando nos ocorreu uma aventura digna de registro, na qual meu companheiro Beremiz, com grande talento, pôs em prática as suas habilidades de exímio algebrista.
Encontramos, perto de um antigo caravançará meio abandonado, três homens que discutiam acaloradamente ao pé de um lote de camelos. Por entre pragas e impropérios, gritavam possessos, furiosos:
— Não pode ser!
— Isto é um roubo!
— Não aceito!
O inteligente Beremiz procurou informar-se do que se tratava.
— Somos irmãos — esclareceu o mais velho — e recebemos como herança esses 35 camelos. Segundo a vontade expressa de meu pai, devo eu receber a metade, o meu irmão Hamed Namir uma terça parte, e ao Harim, o mais moço, deve tocar apenas a nona parte. Não sabemos, porém, como dividir dessa forma 35 camelos. A cada partilha proposta, segue-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio! Como fazer a partilha, se a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas?
— É muito simples — atalhou o “homem que calculava”. — Encarregar-me-ei de fazer com justiça essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal, que em boa hora aqui nos trouxe.
Neste ponto, procurei intervir na questão:
— Não posso consentir em semelhante loucura! Como poderíamos concluir a viagem, se ficássemos sem o nosso camelo?
— Não te preocupes com o resultado, ó “bagdali”! — replicou-me, em voz baixa, Beremiz. — Sei muito bem o que estou fazendo. Cede-me o teu camelo e verás, no fim, a que conclusão quero chegar.
Tal foi o tom de segurança com que ele falou, que não tive dúvida em entregar-lhe o meu belo jamal, que imediatamente foi reunido aos 35 ali presentes, para serem repartidos pelos três herdeiros.
— Vou, meus amigos — disse ele, dirigindo-se aos três irmãos — fazer a divisão justa e exata dos camelos, que são agora, como vêem, em número de 36.
E voltando-se para o mais velho dos irmãos, assim falou:
— Deves receber, meu amigo, a metade de 35, isto é, 17 e meio. Receberás a metade de 36, ou seja, 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saíste lucrando com esta divisão.
Dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:
— E tu, Hamed Namir, devias receber um terço de 35, isto é, 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é, 12. Não poderás protestar, pois tu também saíste com visível lucro na transação.
E disse, por fim, ao mais moço:
— E tu, jovem Harim Namir, segundo a vontade de teu pai, devias receber uma nona parte de 35, isto é, 3 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é, 4. O teu lucro foi igualmente notável. Só tens a agradecer-me pelo resultado.
Numa voz pausada e clara, concluiu:
— Pela vantajosa divisão feita entre os irmãos Namir — partilha em que todos os três saíram lucrando — couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um total de 34 camelos. Dos 36 camelos sobraram, portanto, dois. Um pertence, como sabem, ao “bagdali” meu amigo e companheiro; outro, por direito, a mim, por ter resolvido a contento de todos o complicado problema da herança.
— Sois inteligente, ó estrangeiro! — confessou, com admiração e respeito, o mais velho dos três irmãos. — Aceitamos a vossa partilha, na certeza de que foi feita com justiça e eqüidade.
E o astucioso Beremiz — o “homem que calculava” — tomou logo posse de um dos mais belos camelos do grupo, e disse-me, entregando-me pela rédea o animal que me pertencia:
— Poderás agora, meu amigo, continuar a viagem no teu camelo manso e seguro. Tenho outro, especialmente para mim.
E continuamos a nossa jornada para Bagdá.

(Malba Tahan, Seleções – Os melhores contos – Conquista, Rio, 1963)

About ricardonagy

Bacharel Direito PUC-SP. Pós-graduando em Direito Civil pela EPM-TJSP. Bacharel e Licenciado Letras inglês/português USP. Pós-graduado em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação PUC-SP.
This entry was posted in cidadania, curiosidades, dicas culturais, documentário, educação, Malba Tahan: o homem que calculava. and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s