A Civilização Maia: uma breve visita. Arquitetura, engenharia, crenças e curiosidades. O marco de uma civilização desaparecida.

Chichén Itzá. Templo de Kukulcán.

Templo de Kukulcán, “Serpente Emplumada”, efeitos de sombra e luz nos equinócios e solstícios.

É um privilégio visitar a península de Yucatan, conhecer suas cores, sua culinária, seu povo, um pouco de sua cultura e as ruínas, que são memória viva dessa incrível civilização.  Os Maias possuíam sistemas de governo e agricultura altamente desenvolvidos, bem como um modo muito preciso de medição de tempo. Curiosamente, os Maias, apesar da engenharia muito avançada, nunca usaram a roda, embora tivessem conhecimento dessa tecnologia.

Muro das Caveiras.

Muro das Caveiras. Cada caveira representa um inimigo sacrificado. Representando suas vítimas, os Maias acreditavam que podiam alcançar a imortalidade.

Talvez, mais curioso ainda, é que eles abandonavam repentinamente suas cidades e construíam outras na selva. A hipótese é de que essas migrações ocorriam por razões religiosas. Semelhantemente, no Brasil, houve uma migração de povos indígenas que, por motivos religiosos, hoje estão na região da Bahia.

Por volta de 900 d. C. a civilização Maia entrou em colapso e, por volta de 1.200 d. C., a última grande capital, Chichén Itzá, estava praticamente deserta, mas continuou sendo visitada por conta de seu cenote sagrado. Em 1517, quando os primeiros europeus chegaram lá, a civilização Maia era apenas um lembrança do que tinha sido. Não obstante, a chegada espanhola aniquilou qualquer resistência e aculturou de forma abrupta toda a América espanhola. Fato facilmente constatado hoje, por exemplo, nos templos religiosos soterrados por construções espanholas ou até mesmo pelo fato de o México ser 85% católico.

CENOTE: o ‘céu’ dos Maias. Lugar de sacrifícios humanos: quem retornava deles era considerado de linhagem sagrada.

Não obstante, Frei Bartolomeu de Las Casas (1474-1566), um sacerdote espanhol cujo pai era mercador na esquadra de Colombo, destacou-se por defender a causa indígena, relatando em seus escritos a violência com que a cultura espanhola se impôs na região durante a colonização. Em 1552 suas obras foram censuradas e proibidas para leitura. É um dos escritores mais citados no que diz respeito à América espanhola.

Na foto acima, a pirâmide de Kukulcán que, no idioma Maia, significa, Serpente Emplumada, foi construída no século XII d.C. A construção, com uma geometria alinhada com os astros e as estrelas, mostra um efeito de sombra e luz, especialmente durante os equinócios e solstícios,  nos quais a Serpente Emplumada parece se movimentar pela pirâmide. Soma-se a este incrível efeito geométrico de luz e sombra com triângulos isósceles invertidos, o efeito sonoro que acontece quando se bate palmas em frente ao templo: ecoa-se um som parecido com o do pássaro da região, o Quetzal. A hipótese era de que esse efeito costumava ser usado para chamar atenção nos momentos de urgência, ou como uma forma de os sacerdotes se comunicarem com o povo.

Nesta outra foto, um dos famosos CENOTES MAIAS, onde sacrifícios eram feitos. É possível fazer mergulho nas cavernas submersas em alguns desses cenotes, com a ressalva do governo mexicano que se você decidir fazê-lo a partir de certo ponto, será sua a total responsabilidade pela sua vida. De fato, esses buracos no meio da floresta foram feitos pelos fragmentos do meteoro que exterminou os dinossauros, criando a cratera de Chicxulub, no mar do Caribe. Alguns desses Cenotes têm comunicação com o mar do Caribe. A junção da água doce com a salgada cria uma refração de luz interessante. A hipótese é a de que esses lugares sagrados eram o céu para os Maias. Quem retornasse desses Cenotes era considerado de linhagem sagrada. De qualquer forma, criou-se, atualmente, uma forte indústria do turismo em torno dos cenotes e de parques aquáticos. Vale a pena uma visita.

Apesar de as descobertas em relação aos Maias serem de longa data, uma das grandes descobertas foi relativamente recente: a escrita Maia é uma mistura de logogramas e sinais silábicos. Os estudos, conduzidos pela equipe do professor emérito de Yale, Dr. Michael D. Coe e outros, mostram que os Maias escreviam as palavras de forma puramente fonética, isto é, símbolos que representam sons, ao invés de combinação de letras. A descoberta da escrita Maia é comparada, em importância, à descoberta do código genético.

Sem dúvida alguma, essa incrível civilização merece uma visita, nosso respeito e nossa admiração. Cheers.

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Sobre ricardonagy

USP/PUC-SP. Bacharel em Direito PUC-SP. Pós-graduando em Direito Civil pela EPM-TJSP. Bacharel e Licenciado Letras inglês/português USP. Pós-graduado em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação PUC-SP.
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